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A adolescência é um período muito importante para a formação do que seremos, é o momento em que não temos mais a inocência de criança mas também não aprendemos toda a malícia da vida adulta; Sempre é muito engraçado conviver com quem está nessa transição e pensar que eles são um saco mas não lembrar que um dia foi assim também, daqueles adolescentes chatos que acham que o mundo é até a esquina da rua da vovó ou se esforçar para parecer adulto o bastante e conquistar algum espaço.
Hoje em dia, quando nos deparamos com um adolescente de 14 anos que curte coisas da idade é considerado imaturo e muitas das vezes o estranho do grupo; Na maioria das vezes, é a idade de descoberta da vida, do que é, do que gosta, do que pode ser e o que quiser ser, largando devagar as mãos dos pais e deixando a vida tomar conta de cada pedacinho. A gente acha que sabe de tudo e não quer mais ouvir, passar por cima dos nossos pais para no final ver que mais uma vez, no final do dia, eles estavam certos.
 De novo.

Quando decidi voltar a escrever, queria que as pessoas me sentissem mais perto delas, um texto que transmitisse verdade e cada pessoa que aparecesse por aqui pudesse sentir um pouquinho de ''poxa, é isso mesmo que eu sinto!'' ou ''Obrigada por isso!''. Escolhi escrever do jeito mais doce possível e que cada um se sinta abraçado com isso. O texto de hoje conta uma história boa demais, daquelas que eu diria para vocês pegarem a bebida preferida de vocês e sentar numa cadeira confortável para essa leitura. 

14 anos foi uma idade muito difícil em alguns aspectos da minha vida, foi minha fase patinho feio das amigas, a época em que todo mundo só pensava nos meninos do terceiro ano e era super legal ficar com eles. Não via nada demais até as olimpíadas do colégio, onde todo mundo mostrava o quanto era bom nos esportes, fazia coração para a gatinha depois do suado gol, até que eu participei dos jogos e num deles, alguém me despertou uma coisa que eu nem sabia explicar.
Ele não tinha nada demais, ninguém falava dele mas chamou a minha atenção, talvez por ser atencioso e educado com todo mundo ou apenas por ver a raça de jogar numa quadrinha de colégio para defender a equipe.
 Não faço ideia se a gente era da mesma equipe mas era sempre um prazer estar o vendo jogar. Os jogos acabaram, as equipes receberam as medalhas e para minha alegria, ele mostrou interesse no final desses dias. 
Que coisa né? A gente não tava preparado para o que ia vir durante longos (disse longos!!!) anos.

Me tremi dos pés a cabeça quando vi a solicitação de amigos no orkut e uma delas era ele, aceitei e então começamos a conversar, a nos falar no colégio e enrolei um pouco o beijo, mas aconteceu, na frente do nosso colégio, depois da aula e foi meio perturbador mas continuamos a ficar mesmo assim. Nossos amigos já nos tratavam como casal, nós éramos um mas nunca nos vimos como um, talvez isso tenha me afastado no momento em que senti o mosquitinho do namoro por perto. Eu não vi esse casal acontecer, só aconteceu e eu não aceitei. Saí do colégio, conheci outras pessoas, amadureci e nos vimos pela vida novamente;17 anos, conversamos um tempão e a última novidade que ele me deu foi a do novo namoro, finalmente notei quão madura estava em aceitar que nossa história acabou e foi das boas de tão feliz. 
Eu estava enganada, e ele? Ele também.

A vida prega peças na gente, traz pessoas especiais de uma forma que a gente não entende mas aceita, sabe? Aceita porque não temos o que fazer, aceita porque sem aquela pessoa parece que falta um pedaço da felicidade e com ele foi assim; Ele namorou por muitos anos e durante esses anos, nos falamos poucas vezes mas o carinho transbordava a cada olhar e a cada abraço raro de 10 segundos, porque sempre foi um bom motivo de ciúme para o namoro. 
Todo mundo deveria ter aquela ''pessoa'', tenho certeza que você pensou naquela pessoa que só de olhar já entende o que você quer falar, que te conforta só com um sorriso de longe e te ajuda só por estar presente, nós fomos essas pessoas um para o outro;Poderia contar cada detalhe dessa história mas mesmo assim, não ia caber num texto de blog. Talvez me dê inspiração para o sonho de escrever um livro.

Uma das tantas madrugadas acordadas como bons adolescentes, ele veio como quem precisasse de mim mais do que eu mesma. Áudio, voz trêmula, milhões de problemas passando pela cabeça e a única pessoa no mundo que ele correu, por achar a fortaleza, foi eu, que era tão frágil quando se tratava dele. Foi horrível ver ele daquele jeito e não poder estar por perto para um abraço mas o tempo passou, a conversa foi se confortando e ele só sabia agradecer por me ter em qualquer momento da vida. Seja o que for e para o que for. Eu estava ali. Estou.

Minha pessoa especial é ele e vai ser ele sempre.
 Tem amores que vem pra ficar na nossa vida, a gente só não entende que nunca vai ser como casal feliz assistindo o jogo do Flamengo no domingo com dois filhos e churrasco até dizer chega, tem amores que vem para nos ensinar a viver, nos ensinar a amar e a nos fazer sentir mais amados.
Tem amores presentes em todos os momentos da nossa vida, o que não temos tão presente assim é a forma bonita de olhar para eles. Olhar a vida com os olhos daquele jovem que fica guardado sempre dentro da gente e lembrar que, todo amor vale a pena.
O que não vale a pena é deixar de amar. 



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